terça-feira, 1 de novembro de 2016

UMA NOTÍCIA ALVISSAREIRA:FAZENDA DAS AREIAS PODE SER PRESERVADA




Fazenda das Areias: patrimônio histórico em ruínas


Na edição de 12 de maio de 2012, O Norte Fluminense relatava a dramática situação da Fazenda das Areias, prédio histórico construído por escravos nos idos de 1870, e distante cerca de 3km do distrito de Pirapetinga de Bom Jesus.

Recebemos, agora, a notícia de que Francisca Moraes Monteiro, bisneta de Chichico das Areias, o último proprietário do imóvel, pretende preservar este patrimônio, o que constitui uma notícia alvissareira.


A Fazenda das Areais foi estabelecida em época de grande prosperidade, utilizando a mão de obra escrava para o cultivo do café. Segundo o médico e escritor Norberto Boechat declarou ao jornal, na época, "a Fazenda pertencia, na época, a Henrique Boechat. Com o fim da escravatura em 1888, e sem ter mão de obra escrava, Henrique Boechat acabou falindo". 

Entrada da Fazenda das Areias, construída por escravos

Continuou Norberto relatando que "a Fazenda das Areias acabou sendo adquirida, posteriormente, por Modesto Moraes Ribeiro, que a comprou para seu filho Francisco Ribeiro de Aquino, o Chichico das Areias.  A Fazenda  tornou-se então um primor de modernidade, uma vez que Chichico das Areias estabeleceu um sistema de partilha através de meeiros. Com isso,  fixou-se a mão de obra na Fazenda". 

Norberto  considerou que "o erro de Chichico foi o de considerar que, estabelecendo em seu inventário a doação dos bens a seus netos, supunha que a Fazenda das Areias seria preservada. Na prática, acabou ocorrendo discórdia entre os vários herdeiros, o que levou a Fazenda ao abandono. Hoje, a situação da Fazenda das Areias ficou dramática; por causa do desabamento de parte do prédio, pode-se ver, da estrada, o outrora quarto de intimidade de Chichico das Areias e sua esposa Doninha".



Norberto salientou ainda que "o avô de Chichico das Areias foi o Barão de Aquino, de Sumidouro (RJ). D. Pedro II chegou a lavrar um documento endereçado ao Barão. A esposa de Chichico das Areias, por sua vez, era filha de João Catarina, um homem progressista, que se tornou um dos primeiros presidentes da 1ª Câmara de Vereadores Republicana do Brasil, em Itaperuna".



Diamantino da Silva Soares, o "Tininho", nascido em 05/08/1926, na Fazenda Vista Alegre - de propriedade de seu avós paternos Francisco Soares e Amélia Soares - se recordou de Chichico das Areias e de sua esposa Francisca Moraes Ribeiro. Segundo Tininho, a Fazenda possuía um engenho de cana, moinho de farinha e de fubá, chegando a ter "13 mil arrobas de café. Se alguém pisasse em um grão de café, Chichico das Areias chamava a atenção da seguinte maneira: 'pisar em um grão de café é como pisar em Deus' ". 

De uma das construções que desabou, só resta a base

Elza de Souza Lacerda, nascida em 19/07/1926, por sua vez, explica que vários descendentes de escravos tornaram-se empregados da Fazenda. Ela se recorda das tropas de burros, os carros de boi e do carretão (carro de boi utilizado para puxar madeiras).



  


Esio Oliveira Campos: a Fazenda das Areias não deveria ter sido abandonada

Já Esio Oliveira Campos, morador de Arraial Novo, região próxima de Pirapetinga, assinalou que "na Fazenda das Areias havia um gerador de luz própria, uma serraria, um moinho para pilar café e cerca de 60 colonos. O primeiro telefone de dar corda, da região, foi instalado na Fazenda Areias por Chichico das Areias, no início do século XX. A Fazenda das Areias não deveria ter sido abandonada", finaliza.



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