segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Documentário é lançado em Mutum (MG)

Cesar Tomé foi o produtor local do documentário "Folias e Charolas"

Ocorreu, no dia 18 de novembro, em Mutum (MG), a apresentação de mais um documentário realizado pela dupla Phillip Johnston e Rocío Salazar, integrantes do Circuito Cultural Arte Entre Povos.

O produtor local foi César Tomé, Secretário de Cultura, que tem realizado uma atuação ímpar na pasta. Ao contrário da maioria dos municípios, onde o ocupante é escolhido por critérios meramente políticos, em Mutum o titular demonstra ser pessoa comprometida com o desenvolvimento cultural de seus munícipes, o que tem gerado importantes conquistas neste setor.

A realização do documentário "Folias e Charolas", comemorando os cem anos desta manifestação em Mutum, constitui ferramenta relevante para o fortalecimento cultural do município.

No dia 19, o documentário "Santas, Usinas e Sonhos", produzido pelo casal em 2016, a respeito da ascensão e queda das usinas em Bom Jesus do Itabapoana (RJ), foi selecionado para apresentação no Centro Cultural da Justiça Federal, no Rio de Janeiro, dentro da mostra de filmes "Memória em Movimento", na programação  da "Semana Fluminense do Patrimônio". 

Os documentaristas estão preparando outro documentário em Manhuaçu  (MG), no distrito de Sacramento, para apresentação no Circuito Cultural do próximo ano.





OUÇAM A MÚSICA "BOM JESUS, ORGULHO DO MEU BRASIL", DE SAMUEL XAVIER


A música "BOM JESUS, ORGULHO DO MEU BRASIL" foi composta pelo aclamado Samuel Xavier e é interpretada pelo Grupo Musical Amantes da Arte, no CD "Bom Jesus de Corpo e Alma".

O CD que contém esta música, entre outras, foi lançado no dia 6 de agosto de 2015, no auditório do ECLB (Espaço Cultural Luciano Bastos), pela Editora O Norte Fluminense, dentro da Coleção Música Bonjesuense.

Trata-se de uma homenagem aos grandes músicos de nossa terra.




Lançamento do CD "Bom Jesus de Corpo e Alma", no ECLB



20 de novembro: Dia da Consciência Negra


sábado, 18 de novembro de 2017

OUÇAM A MÚSICA QUE O PRIMEIRO MAESTRO DE BOM JESUS DO ITABAPOANA COMPÔS PARA SUA CIDADE


Uma das músicas clássicas de nosso município, composta por Levy Xavier, o primeiro maestro de Bom Jesus do Itabapoana, juntamente com seu sobrinho Samuel Xavier, se chama "Cidade Bom Jesus".

O CD que contém esta música, entre outras - que foi interpretada pelo Grupo Musical Amantes da Arte - foi lançado no dia 6 de agosto de 2015, no auditório do ECLB (Espaço Cultural Luciano Bastos), pela Editora O Norte Fluminense, dentro da Coleção Música Bonjesuense.

Trata-se de uma homenagem aos grandes músicos de nossa terra.




Lançamento do CD "Bom Jesus de Corpo e Alma", no ECLB




quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Clube de Xadrez de Bom Jesus do Norte é evidência de que é possível construir um mundo diferente



Há um local em nossa região que aponta para algo diferenciador em nossa comunidade: o Clube de Xadrez de Bom Jesus do Norte, localizado nas entranhas da Biblioteca Romeu Couto.

Não poderia ser um ambiente mais delineador do que está sendo gestado nas novas gerações que, através do xadrez, exercitam as habilidades de concentração, imaginação, planejamento e autocontrole, além do companheirismo que naturalmente permeia o ambiente enxadrístico.

Fundado no dia 13 de agosto de 2006, por ocasião da Festa de Agosto, de Bom Jesus do Itabapoana (RJ),  o Clube de Xadrez vem sendo, desde então, gerido com idealismo e brilhantismo pelo professor Fábio de Souza Vargas, com atuação destacada em Bom Jesus do Itabapoana (RJ) e em Bom Jesus do Norte (ES).

O Clube funciona todas as 3as e 5as feiras, entre as 18h e 21h e está aberto a todos os que desejarem praticar ou aprender o jogo-arte-ciência.

Nossa região possui tradição no xadrez. O poeta Athos Fernandes e Luciano Bastos, por exemplo, eram enxadristas que participavam de competições organizadas, em geral, no Aero Clube.

Na década de 1970, destacou-se no Estado do Rio de Janeiro o enxadrista José Ronaldo Mascarenhas, que chegou a ser campeão nas Olimpíadas. Nesta época, Mequinho era o gênio que se despontava no Brasil e Bobby Fischer no mundo.

O Clube de Xadrez de Bom Jesus do Norte constitui evidência de que é possível construir um mundo diferente.





José Ronaldo Mascarenhas: ícone do xadrez bonjesuense


                           A Velha Guarda do xadrez bonjesuense: Gino Bastos, Enio Nascimento dos Reis e José Ronaldo Mascarenhas, com um representante da nova geração enxadrística

Fábio de Souza Vargas revolucionou o xadrez em Bom Jesus do Itabapoana (RJ) e em Bom Jesus do Norte (ES)


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

"Pátria! Pátria! Minha Pátria..."


Dia da Proclamação da República



                                  Ingratos

    Não maldigo o rigor da iníqua sorte,
    Por mais atroz que fosse e sem piedade,
    Arrancando-me o trono e a majestade,
    Quando a dous passos só estou da morte.

    Do jogo das paixões minha alma forte
    Conhece bem a estulta variedade,
    Que hoje nos dá contínua f'licidade
    E amanhã nem um bem que nos conforte.

    Mas a dor que excrucia e que maltrata,
    A dor cruel que o ânimo deplora,
    Que fere o coração e pronto mata,

    É ver na mão cuspir a extrema hora
    A mesma boca aduladora e ingrata,
    Que tantos beijos nela pôs outrora.

                   Dom Pedro II 

Os 3 aninhos de Maria Fracaroli Seródio


Maria Fracaroli Seródio comemora hoje 3 aninhos

Comemora hoje, 3 aninhos de idade, Maria Fracaroli Seródio, de Coronel Fabriciano (MG), filha de Marco Antônio Seródio e Elisângela Fracaroli Seródio, e neta de Marco Seródio e Maria do Desterro Seródio, assinantes do nosso jornal.

Parabenizamos Maria, os pais e os avós corujas, por esta linda data.

FESTA DO CRISTO REI : dia 26 de novembro


Há 83 anos, a imagem de Cristo Rei foi levada por Padre Mello à Capela no Monte Calvário


A festa de Cristo Rei foi criada pelo Papa Pio XI em 1925 e era celebrada no último domingo de outubro.

Em Bom Jesus do Itabapoana, a festa ocorrerá no próximo dia 26 de novembro, sendo antecedida pelo Tríduo, entre os dias 23 e 25. 

Esta festa tem contornos históricos em nosso município. Há 83 anos, mais precisamente no dia 4 de fevereiro de 1934, Padre Mello levou a imagem de Cristo Rei para a Capela que leva seu nome, no Monte Calvário.

A solenidade foi grandiosa, como revelam as matérias publicadas a seguir, no jornal A Voz do Povo.

As bandeiras pontifícia, brasileira, portuguesa, italiana, alemã, espanhola e libanesa tremulavam ao lado de um arco triunfal, sob o som da banda Nova Aurora, ocasião em que ocorreu uma salva de 12 tiros.

Vejam, a seguir, as matérias.



A VOZ DO POVO - 10 de fevereiro de 1934

A FESTA DO CHRISTO REI

Acompanhada de numerosa procissão a imagem do Redentor foi conduzida ao Monte Calvário.

 O dia 4, domingo, foi um dia cheio para o nosso povo católico.

Se o programa elaborado pelo nosso Ver. Vigário era uma promessa os fatos se realizaram.

Das 9 para as 10 horas Associações religiosas presididas por seu Diretor com a cruz à frente e uma cauda enorme de fiéis dirigiram-se para o local onde se achava a linda imagem do Cristo Rei e aguardando a benção. Era na esquina chanfrada do belo sobrado do sr. Altivo Casemiro, que fizera a oferta da imagem e concorrera com as despesas por ela ocasionadas na importância de mais de quinhentos mil réis, conforme nos informaram. Feita a bênção, com solenidade, o sr. Padre Mello, anunciou que a imagem desde aquela momento se achava habilitada para o culto público e justificou bem expressivamente o uso das imagens, insistindo que elas não são ídolos, que a Igreja Católica, começava por obstruir os ídolos pagãos, não em seus altares ou peanhas mas nas almas dos convertidos.
  
Após a instrutiva alocução foi tirada uma fotografia da imagem, que logo em seguida foi transportada para a Igreja Matriz em um andor especial em forma de trono, artisticamente executado pelo sr. Alberto Terreni.

A banda de música Nova Aurora fazia-se ouvir em meio da procissão.

Em seguida foi cantada a Missa das 10 horas em homenagem ao Cristo Rei.

                                                                    ***
Às cinco horas e meia estava organizada a Procissão. Um só andor que era um verdadeiro trono, o de Cristo Rei.

Estandartes em profusão, distribuídos pelo centro das duas alas do Apostolado, da Pia União, do Círculo de S. Luiz e da Liga Católica. No fundo o trono ambulante e a Nova Aurora dando a cadência ao enorme cortejo.

A entrada do Monte Calvário estava assinalada por um arco triunfal em que flutuavam ao lado da bandeira pontifícia as bandeiras nacional, portuguesa, italiana, alemã, espanhola e libanesa.

A enorme cauda do povo que acompanhava atrás da Procissão ainda se acotovelava entre as colunas do Arco e já a frente se achava no alto do Monte Calvário. Era um belo e estranho espetáculo!

Quando a imagem entrou no terraplano do Santuário estrondou uma salva de 12 tiros. A imagem, apeada do belo trono, foi transportada para o seu nicho preparado no altar com elegância, em cimento. Antonio Pinto Figueira o fizera com aquele estilo que lhe é peculiar.

Em seguida foram executados pela Nova Aurora o hino nacional e o hino pontifício, cujas harmonias entrelaçadas simbolizavam a união da fé católica com a alma brasileira.

Logo que expiraram os últimos sons naquela atmosfera fresca meio assombreada pela aproximação da noite o Rev. Padre Mello, de pé sobre o último degrau do alto cruzeiro, irrompeu em um improviso que transpirava fé, entusiasmo e contentamento.

            “Sinto não possuir neste momento aquele mesmo poder de Josué para mandar parar o sol que já se esconde por detrás das montanhas. Gozaríeis assim mais longos minutos as delícias desta montanha, e eu teria mais tempo para expandir as ideias que me surgem em torno da primeira Carta do Papa sobre o estado mórbido da sociedade atual”.

            Assim começou o longo e interessante discurso cuja conclusão foi a necessidade de ser conhecida e acatada a realeza de Cristo.

As últimas palavras do sr. Padre Mello foram um pedido. (continua)




A VOZ DO POVO - 24 de fevereiro de 1934


AINDA A FESTA DO CRISTO REI

        A bela imagem conduzida ao Monte Calvário, naquele dia, foi oferecida pelo sr. Altivo Casemiro de Campos, que sempre se revelou um grande amigo de Bom Jesus.

Perdura na memória de todos os bonjesuenses a brilhante festa do Cristo Rei, quando a sua imagem foi transladada da residência do sr. Altivo Casemiro de Campos para a Igreja Matriz, e desta ao Monte Calvário em cujo cimo está sendo erguido o seu templo.
            
Ainda a alma católica de Bom Jesus sente os eflúvios daquela tarde magnífica de 11 deste mês, em que, debaixo de hinos e cânticos, ungido pela fé, conduzido entre preces, ascendeu o Cristo Rei ao seu trono no Santuário que o gênio e o carinho do Padre Mello arquitetaram com a solidariedade do nosso povo.

            Ao descrevermos a festividade, tivemos ocasião de enaltecer a valiosa dádiva do honrado negociante desta praça, sr. Altivo Casemiro.

            Hoje, estampa esta folha alguns aspectos colhidos durante as solenidades e nos quais se pode aquilatar da pompa de que se revestiram. Ao faze-lo, mostramos a priori,a religiosidade do nosso povo e ao mesmo tempo encarecemos o espírito de benemerência do cidadão que, em boa hora, veio ao encontro dos desejos do nosso reverendíssimo vigário, ofertando a imagem para o novo culto.

             O gesto nobilitante do Sr. Altivo Casemiro não causou, porém, surpresa a Bom Jesus, que já se acostumou a ver o nome desse seu digno filho ligado a todas as iniciativas altruisticas, a concorrer com o seu incentivo para que medrem e cresçam todas as boas idéias lançadas nesse abençoado rincão da terra fluminense, em que habitamos.

            De fato, raras vezes se encontram  cidadãos tão afeitos à prática de ações meritórias como aquele a quem estamos aludindo nesta nota. A pobreza da nossa cidade deve-lhe inúmeros benefícios: o nosso hospital quase diariamente recebe provas das qualidades caritativas do seu espírito.

            E esse benemérito cavalheiro, excessivamente modesto, não gosta de fazer alarde das boas ações que pratica, seguindo, deste modo, à regra, o preceito divino que diz dever-se fazer o bem sem olhar a quem.

            Costuma-se dizer que os cometimentos humanos são transitórios; mas o belo gesto do Sr. Altivo Casemiro ficará eternamente a lembrar-lhe o nome através a posteridade.

            E, lá do cimo do Monte Calvário, dominando as água, as terras e os horizontes, o Cristo Rei velará pelo povo que, cá em baixo na luta anônima de cada dia, se eleva pelo Trabalho, pela Perseverança e pela Fé, para um destino melhor.


Dia 11 de fevereiro de 1934 - bênção da imagem na casa do sr. Altivo Casemiro de Campos e transportada para a Igreja em um andor especial em forma de trono, artisticamente executado pelo sr. Alberto Terreni. A banda de música Nova Aurora fazia-se ouvir em meio da procissão. Em seguida foi cantada a Missa das 10 horas em homenagem ao Cristo Rei. (...) Às cinco horas e meia estava organizada a Procissão.

(...) Ainda a alma católica de Bom Jesus sente os eflúvios daquela tarde magnífica de 11 deste mês, em que, debaixo de hinos e cânticos, ungido pela fé, conduzido entre preces, ascendeu o Cristo Rei ao seu trono no Santuário que o gênio e o carinho do Padre Mello arquitetaram com a solidariedade do nosso povo.


Imagem de Nossa Senhora de Fátima foi levada para a Capela em 1942

Populares lembram que a reforma do altar teve colaboração decisiva de Maria Isabel Fragoso de Oliveira, filha de Antonio Tinoco, o primeiro presidente da Câmara Municipal após a nossa segunda emancipação



O casal Carlos Magno Santana de Souza e Marlene de Oliveira  Lopes Santana coordena a Capela Cristo Rei


Comunidade irá pleitear ao prefeito Roberto Tatu a construção da Praça dos Açores, em homenagem aos açorianos que se estabeleceram em Bom Jesus do Itabapoana, entre os quais, Padre Mello
O historiador Antonio Soares Borges e Marlene Santana, uma das coordenadoras da Capela Cristo Rei

Foto antiga da Capela Cristo Rei


A emblemática Capela Cristo Rei, no Monte do Calvário




segunda-feira, 13 de novembro de 2017

A VIDA MUSICAL DE LEVY XAVIER


                                       Elcio Xavier


Levy Xavier


         Levy de Aquino Xavier, filho de Samuel e Baldina, neto dos irmãos Carlos e Júlio, foi o grande herdeiro dos dotes musicais da Família Xavier, cujos descendentes sempre se sobressaíram com brilhantismo na arte de APOLO, dentre os quais, de passagem, podemos incluir Júlio de Aquino Xavier, o filho, excepcional músico, grande maestro; Samuel e seu bombardino,; Baldina, jovem pianista que a dura labuta doméstica impediu seu progresso musical; Candoca, o preferido dos maestros com quem tocou, Euclides e Juvenal, seus irmãos; Homero e Bininho, irmãos de Levy, e seus sucessores, entre os quais se sobressaem Samuel Cerqueira Xavier e o sobrinho de Samuel,  Arthur, de apenas 15 anos e já primeiro trompetista da banda de música de Lage de Muriaé.
         Levy, o artista, por desmesurado amor à sua cidade natal, Bom Jesus, preferiu a vida provinciana às glórias de uma promissora carreira na cidade grande. Defendia seus ideais de maneira quase radical, com veemência, o que lhe ocasionou muitas decepções. Era de uma lealdade pura aos seus princípios e aos seus amigos, e seu coração sempre esteve repleto de amor e esperança. Um grande filho e um extremado pai, foram qualidades marcantes em Levy.
         Falemos dele como músico:
       Em 1920, aos 15 anos de idade, iniciou seus estudos musicais em Bom Jesus com o maestro Muylart. Como esse professor não era muito assíduo às aulas, pouco aproveitou na aprendizagem. Em 1921, conheceu um músico campista, Nilo Constantino da Silva, que reconhecendo sua aptidão nata para a música, ofereceu ensinar-lhe, sob a seguinte condição: “todo aquele que perder uma aula terá de pagar uma multa de mil réis, tanto o aluno como o professor.” Levy passou rápido pela Artinha e o solfejo, cumprindo cinquenta lições em noventa dias, incorporando-se à banda de música local como primeiro trompete.
         No ano de 1923 viajou para Juiz de Fora, quando se inscreveu na Academia de Comércio daquela cidade, e passou a integrante da banda escolar como pistonista. Infelizmente adoeceu e regressou à Bom Jesus. Após seu regresso passou a fazer parte da 1ª Orquestra Bonjesuense, sob a direção do maestro Leopoldo, e participou nos anos de 1923 e 1924, das bandas de música organizadas para abrilhantar as festas locais.
         Em 1925, o maestro Leopoldo não quis organizar a banda para os festejos do mês de maio, alegando que o povo não valorizava música e não se criava uma corporação musical permanente. Diante da recusa do maestro, a comissão dos festeiros saiu batendo à porta dos músicos mais velhos, implorando que não deixassem o mês de maio sem música, mas não conseguiu comovê-los. Foram, então, ao jovem Levy Xavier que ficou surpreso com tal proposta recusando-a também. A pressão continuou, e ele acabou concordando em liderar um grupo o qual, por ter sido criado em maio, recebeu o nome de “FLOR DE MAIO”, indicação do Padre Melo. Este grupo durou apenas um ano porque os instrumentos eram emprestados e uma nova banda estava em organização na vila. Era a LIRA FUTURISTA, fundada em 1926, tendo como regente o maestro Leopoldo Muyart, que obteve grande sucesso até agosto de 1926. Após a Festa de Agosto, tendo o maestro adoecido e necessitando procurar recursos médicos na cidade de Campos, chamou Levy e lhe fez a seguinte proposta: - “Toma conta da minha orquestra no Cinema Bom Jesus e mantém a banda em atividade. Se eu voltar, hei de ensinar-te tudo o que sei e, se eu morrer, lá da eternidade eu te ajudarei.” Leopoldo morreu e seu sucessor veio de Campos: maestro Baetinha, competentíssimo, porém irrequieto, sendo logo substituído pelo maestro Clóvis Brandão. Durante todo esse tempo Levy foi o 1º trompete, e nas folgas ia tocar em Rosal, Calçado, São Pedro e Santo Eduardo, onde sua presença era exigida por ser reconhecido como grande músico.
         Há um fato de grande realce na vida do nosso homenageado: Em 1925 deu seus primeiros passos como regente de banda, na cidade de São Pedro. Em 1928 ajudou a organizar as bandas de música de Boa Vista (Apiacá): Lira Santo Antônio e Lira Boa Vistense. Em 1929, organizou uma festa em Santa Angélica, a qual dizia ter-lhe dado muito trabalho e despesa, por ser uma festa cívica, 7 de Setembro, cabendo-lhe ensinar às crianças a marchar para o grande desfile militar, além de tê-las vestido de branco com um laço de fita verde e amarela no braço. Em setembro do mesmo ano foi chamado a Santo Eduardo para dirigir a banda local a qual atravessava uma fase difícil. Reorganizou essa banda e em um ano e meio ela se tornou referência em qualidade, na região.
         Em 1931, por necessidade financeira resolveu montar uma casa comercial em Mutum, logradouro às margens da rodovia Bom Jesus - Campos. Uma tarde enquanto executava em seu trompete, um trecho da Ópera “O Guarani”, passou de automóvel pela estrada o usineiro José Carlos Silveira Pinto. Ao ouvi-lo, parou o carro e foi ao seu encontro propondo-lhe organizar uma banda de música em sua usina. Levy fechou sua venda, para a qual não tinha muita aptidão, e foi para Santa Maria. Ali, em noventa dias, colocou na rua uma corporação musical brilhante, segundo diversas opiniões, quando ela desfilou garbosa pelas ruas de Bom Jesus. Por motivo de saúde foi forçado a deixar Santa Maria 18 meses após sua mudança para aquela usina, regressando à Bom Jesus. Mas a música em sua vida era mais forte que as condições físicas e, julgando-se curado, organizou em 1933 o Jazz Sorriso, que abrilhantou os bailes bonjesuenses até 1938, sobretudo os inesquecíveis carnavais de nossa terra.
         Finalmente teve que ceder à precariedade física: seu coração impedia os esforços que seu instrumento exigia do corpo. Recolhido à família, dedilhava sempre que podia seu violão, cantarolando suas composições musicais, cujo acervo vasto e valioso, está sob a guarda de seus filhos.
         Encerrou seus dias como um eterno sonhador e os anjos no céu devem tê-lo recebido com um majestoso coro de trombetas.
         Levy Xavier nasceu no dia 16 de junho de 1904 e faleceu no dia 23 de março de 1970.

NOTA: homenagem prestada a Levy Xavier, por seu sobrinho Elcio Xavier, durante o 1º Encontro da Família Xavier realizado em setembro de 2000, na cidade de Bom Jesus do Itabapoana (RJ).


         
Banda de Levy Xavier


                                LEVY DE AQUINO XAVIER  (1904 – 1970)


Nascido em 16/06/1904  em Jardim 
Falecido em 23/03/1970 em Bom Jesus do Itabapoana - RJ 

Casado com:  Inah Caldeira 

Teve 3 filhos: 
         
- Maria José Caldeira Xavier   2 filhos 
     Casada com: Egon Alberto Buhlmann 

Egon Alberto Buhlmann Junior 
            Casado com:   Marcele 
- Gustavo Alberto Xavier Buhlmann 
            Casado com:  Luiza de Almeida 

- Samuel Caldeira Xavier   1 filho 
         Casado com: Regina Célia Ferreira 

Jefferson Ferreira Xavier   1 filho 
            Casado com:  Kelly Jacomini                         
               - Bryan 

Lenice Caldeira Xavier – 2 filhas 
         Casada com: José Roberto de Almeida 

- Marcela Xavier de Almeida   2 filhos 
Casada com: Wilton Soares Mesquita dos Santos 
               - Barbara Xavier Soares Mesquita dos Santos 
               - Raul Xavier Soares Mesquita dos Santos 

- Roberta Xavier de Almeida 





Levy Xavier no Bloco de Carnaval


Levy Xavier e família


Inah Caldeira Xavier


Foto da família em 2013, por ocasião do Natal

Aniversário de 90 anos de Inah Caldeira Xavier, em 2015

Acervo: Elcio Xavier